Não há muitos alojamentos com os quais tenha ficado verdadeiramente impressionada durante as minhas viagens. Talvez porque escolha normalmente opções mais em conta, que me permitam manter um orçamento mais baixo em viagem, o que faz com que os locais onde fico alojada cumpram os requisitos minimos, mas não sejam propriamente inesquecíveis. Salvo algumas exceções, claro… A Aldeia da Cuada, localizada na Fajã Grande, na Ilha das Flores, nos Açores, é uma dessas magníficas exceções.

Aproveitei o feriado do 5 de outubro para fugir para algum lado. Já tinha estado na Ilha de São Miguel, mas a Ilha das Flores andava a chamar por mim ultimamente. Ao falar com uma amiga em particular sobre a Ilha houve uma recomendação de alojamento que surgiu de imediato: Aldeia da Cuada. Foi-me “vendido” como um local tranquilo, único, imperdível. Pronto, não restaram dúvidas: era para aí que teria de ir.

A Aldeia da Cuada é um projeto de amor de um casal nascido na Ilha: a Teotónia e o Carlos Silva. As várias tradicionais casas de pedra que a compõem foram sendo gradualmente abandonadas à medida que os seus proprietários emigravam para os Estados Unidos em busca de melhores condições de vida, durante os anos 60. Teotónia e Carlos decidiram comprar as casas para as remodelar e poder mostrar a futuros visitantes da Ilha a sua verdadeira alma e tradição. Ao longo do tempo, o casal adquiriu todas as casas da aldeia, tendo remodelado 20. Hoje em dia, a Aldeia da Cuada é gerida pela filha e genro do casal, que o tem feito de forma exímia ao longo dos últimos 8 anos. É bastante procurada por alemães  e belgas durante todo o ano, portugueses especialmente em agosto, esperando-se em breve um maior afluxo de norte-americanos quando a Delta Airlines abrir os voos para a Ilha no próximo ano.

Aldeia da Cuada

A Aldeia é um verdadeiro oásis de tranquilidade, perfeito para quem procura usufruir em pleno do sossego e beleza da Ilha das Flores. É composta por 7 casas T1, 6 casas T2, 1 casa T4 e 1 casa T6. Todas as casas têm o nome do seu último habitante/proprietário escrito numa roda de pedra ao lado. Eu fiquei na Casa da Fatima II, um T2 aconchegante, decorado de forma muito tradicional e simples, mas com todo o conforto e um cheirinho fantástico (cheiram mesmo bem!). Todas as casas têm ainda um espaço exterior onde é possível tomar refeições, apreciar o ar puro, ler um livro ou simplesmente relaxar. É simplesmente um paraíso.

Ao passeares pela Aldeia encontras ainda algumas vaquinhas a pastar (sim, as famosas vacas felizes!) e se aproveitares para o fazer ao final do dia ainda vês um por-do-sol magnifico que te vai encher a alma.

Para além das casas para alojamento, a Aldeia da Cuada tem ainda uma pequena capela (a única casa branca) e um espaço para pequenos-almoços e refeições. Recomendo que tomes pelo menos uma das tuas refeições no restaurante. Eu cancelei a reserva num outro restaurante da Ilha para poder experimentar este e posso dizer que não me arrependi absolutamente nada. Na verdade, até dei algumas palmadinhas a mim mesma nas costas por tão acertada decisão. Todos os produtos usados são originários de pequenos produtores da Ilha, pelo que acabas por contribuir ainda mais para a economia local e tens a certeza que os produtos são da melhor qualidade possível. A espetada de Mero e o Costeletão estavam particularmente saborosos. A acompanhar não pode faltar uma garrafinha bem gelada de vinho branco Farias da Ilha do Pico. Vai por mim…!

Fiquei apenas uma noite na Aldeia da Cuada, mas saí de lá com uma vontade enorme de voltar assim que tiver a oportunidade. E desta vez para passar uns bons dias seguidos para poder absorver e respirar como deve ser aquele oásis de paz e serenidade. Recomendado a 100%, palavra de Jo!

Morada: Aldeia da Cuada, 9960-070 Lajes das Flores, Ilhas das Flores, Açores

Website: http://aldeiadacuada.com 

Reservas: link

 

Nascida e criada em Lisboa, Portugal, mas apaixonada pelo mundo. Adoro partilhar as minhas histórias de viagem, fotografias e videos e aconselhar e inspirar quem partilha a mesma paixão pelas viagens!