Depois de uma viagem de 12 horas que foi possivelmente uma das piores que já fiz, em grande parte devido à enorme dor de cabeça que tive durante grande parte do voo, ao cansaço acumulado de quase 2 dias e ao facto de ter dormido pouco ou quase nada durante essas 12 horas, lá cheguei a Lima.

Bagagem recolhida (felizmente a minha mala foi uma das primeiras a sair) e toca a procurar o balcão da Taxi Green que me tinha sido tão recomendada por todas as pessoas que me deram dicas sobre o Peru. Pago 60 soles no balcão, sigo a menina que me atendeu e logo a seguir estou a ser levada a um táxi pelo meu motorista que me leva a bagagem até lá. Luxo.

Sou logo avisada que a viagem até Miraflores é capaz de demorar 1 hora por causa do trânsito intenso que àquela hora assola a cidade (20h30). Na verdade acabo por nem dar pelo tempo passar. A viagem acaba por ser acompanhada de uma conversa com o meu motorista que embora no inicio tenha começado com questões banais como o tempo (bem, na realidade, tendo em conta a situação do país, esta pergunta acabou por não ser muito banal neste caso), o número de turistas na cidade e afins, se transforma numa discussão sobre a natureza do ser humano. Tudo em espanhol. Sim, parece que até me safo com o espanhol. Boa, isto vai correr bem!

Chego ao Hotel, o Chaski Lodge, e ao entrar no quarto parece que de repente ouço vozes celestiais ao ver aquela cama (absolutamente banal) maravilhosa à minha espera. Mas não me consigo deitar com fome, por isso ainda tomo um banho para poder ir lá fora comer alguma coisa. Acabo por não ir muito longe: logo ao lado está uma casa de hamburguers que também vende Fish & Chips. Está feito! Volto para o hotel 30 minutos depois e adormeço 15 segundos após me ter deitado.

No dia seguinte, enquanto esperava pelo pequeno-almoço na zona pública do Hostel, reparo que tinha acabado de fazer check-in outra viajante a solo. Começamos a falar graças à química que une todos os viajantes a solo, e descubro que coincidentemente a Michelle é Holandesa e de Utrecht, exactamente como a Marjolein que conheci durante a minha primeira viagem a solo! Ele há coisas… (expressão bonita esta). Não sei se já tinha comentado antes convosco mas eu acabo por me dar sempre muito bem com Holandeses quando viajo. É a minha sina.

O pequeno-almoço é tão bom quanto tinha sido anunciado no booking.com: uma papa de arroz doce com ovo e frutas e um café. Tão simples e tão bom. Terminado o pequeno-almoço aproveito para perguntar à moça que o tinha preparado se sabia como ir até ao centro histórico de transportes públicos. Ela começa a explicar-me (em espanhol) e eu reparo numa palavra dita com um ligeiro sotaque brasileiro. Interrompo-a para perguntar de onde é que ela era. “Brasil”, diz ela. “Ah, boa, sou Portuguesa!”. O resto da explicação continuou em português.

Saio do hostel e sigo as suas indicações. Rumo ao “Metropolitano”, um sistema de autocarros (o nome engana, eu sei) que percorre toda a cidade de forma bastante organizada e rápida. Em cerca de 20 a 30 minutos estou no centro histórico que percorro durante algumas horas. Lima é uma cidade com uma história fenomenal e muito antiga. Por todo o lado encontram-se imponentes edifícios antiquíssimos, ruas largas e um ambiente latino encantador.

Embora seja algo que não costumo fazer, acabo por pagar um bilhete para fazer uma visita guiada no Mosteiro de São Francisco, atraída pela perspectiva de ver as suas catacumbas. Embora algumas partes no meio da visita me tenham feito abrir a boca algumas vezes, e eu estivesse no meio de grupo de cerca de 20 pessoas, de uma forma geral foi bastante interessante! E as catacumbas não desiludiram: basicamente o que se vê lá em baixo são ossos, muitos ossos humanos, já que o local foi usado durante séculos como cemitério da população da cidade. Cerca de 20 a 30 mil pessoas foram lá enterradas.

Dou mais umas voltas pela zona e acabo por ir dar ao rio que atravessa a cidade. É aqui que vejo o que seria um dos poucos vestígios das inundações que têm vindo a assolar o Peru nos últimos dias. O caudal do rio corre de forma violeta e transporta essencialmente água lamacenta e muitos detritos resultantes dos estragos que foi fazendo pelo caminho. No Palácio del Gobierno, na Plaza de Armas, foi montado um centro de apoio onde estavam a ser reunidos uma série de mantimentos e recursos para ajudar aqueles afetados por esta catástrofe, sob a campanha #unasolafuerza. 

Passado um pouco os meus pés começam a acusar o cansaço e as 2 bolhas de água que se formaram debaixo de cada um dos meus pés obrigam-me a procurar o caminho de volta para o hotel. Decido voltar para o Hostel. De qualquer forma terei de regressar a Lima no final da viagem e terei oportunidade de ver mais da cidade nessa alura. Já no Metropolitano a regressar a Miraflores não resisto e acabo por sair na estação que dá acesso ao Mercado Nr 1 de Surquillo. Adoro mercados. Aquele ambiente autêntico, real, mexe sempre comigo e não há nada que eu goste mais do que andar por lá a tirar fotografias. E foi lá que provei o meu primeiro Ceviche e percebi a razão pela qual o taxista da noite anterior dizia que a sua boca se enchia de água só de falar nesse prato. Que coisa maravilhosa. O ceviche foi ainda acompanhado por uma espécie de sopa de peixe chamada Chilcano de Pescado.

À noite tenho companhia para jantar. A Michele, já descansada de uma viagem tão longa quanto a minha, junta-se a mim e acabamos por jantar num restaurante a cerca de 15 minutos a pé do Hostel. Muito porreira a moça. Como habitual, dei por mim a falar de assuntos pessoais com uma pessoa que tinha acabado de conhecer há poucas horas, o que é típico deste tipo de viagens. A intimidade e à vontade com pessoas que acabámos de conhecer acontece de forma instantânea e muito natural.

Amanhã estou de saída às 7h da manhã para Paracas, o meu próximo destino! Depois conto-vos mais. 🙂

Até já!

Nascida e criada em Lisboa, Portugal, mas apaixonada pelo mundo. Adoro partilhar as minhas histórias de viagem, fotografias e videos e aconselhar e inspirar quem partilha a mesma paixão pelas viagens!