Bangkok e Ayutthaya: o regresso e a descoberta

Dia 2 de Março: após uma viagem quase interminável até Bangkok, principalmente pelo facto de a KLM (apesar de ser uma companhia holandesa) não ter em mente pessoas de 1,80, tendo assim passado quase 17 horas seguidas a praticamente comer os próprios joelhos… lá cheguei finalmente ao meu destino. Mala recolhida, alguns Euros trocados por Bahts e toca a apanhar o comboio (Airport Rail Link) rumo ao Hotel. Já não me lembrava muito bem da qualidade e eficiência da rede de transportes de Bangkok. Super bem organizada e fácil de usar.

Achei que me ia conseguir orientar bem em direcção ao hotel saindo da estação mas enganei-me, aparentemente. O meu “fantástico” sentido de orientação voltou a dar ares da sua graça. Lá andava eu, em plena hora de pico do sol, a transpirar por todos os poros enquanto arrastava um trolley e carregava uma mochila às costas no meio das ruas em Bangkok. Completamente de rastos, e com um humor de cão depois de horas enfiada em aviões, apanhei o primeiro táxi que apareceu e lá cheguei finalmente ao hotel. Malas pousadas, 30 minutos para recuperar a compostura, banho tomado, e saio porta fora para me deliciar com o primeiro Pad Thai de muitos que me esperam nesta viagem.

Há 2 anos atrás passei muito tempo a explorar os inúmeros templos de Bangkok, pelo que os deixei de lado desta vez. Mas aproveitei a oportunidade para no dia seguinte visitar Ayutthaya, uma cidade histórica, em tempos a capital do Reino de Sião, hoje reconhecida pela UNESCO como Património Mundial pela sua herança a nível histórico e cultural representada pelas inúmeras ruínas de antigos templos com centenas de anos. Chegar lá foi bastante simples: mini-van do centro de Bangkok por 70 bahts para uma viagem de cerca de 1 hora. Ar condicionado, bastante espaço… nada a apontar!

Fiquei encantada com esta cidade. Vê-se bem num dia, embora haja quem opte por ficar a dormir aqui a caminho de Chiang Mai. Os seus templos são fantásticos e é um prazer percorrê-los um a um, apesar do fee de entrada de 50 bahts em quase todos. Sim, 50 bahts é €1,50… Mas é dinheiro ora! E grão a grão perde a galinha o seu tostão (é qualquer coisa assim). Uma sugestão: negoceiem um tuk tuk para um dia inteiro ou as horas que necessitarem (no meu caso foram 4 horas) para que vos leve a cada um dos templos, mas esqueçam os tuk tuks que estão junto à paragem das mini-vans, a não ser que tenham gosto em ser “roubados”, andem mais um bocadinho e optem por um tuk tuk mais isolado, é bem provável que consigam um preço mais interessante. É a melhor forma de percorrer a cidade. Alguns templos são um pouco mais afastados do centro pelo que a opção de fazer o caminho todo a pé só se aplica a maratonistas ou pagadores de promessas.

Algo que também não tinha tido a oportunidade de fazer há 2 anos atrás era visitar um mercado flutuante. Perto de Bangkok existem alguns. Escolhi o mercado flutuante Taling Chan, a cerca de 1 hora de Bangkok. Pelo que já tinha pesquisado este era um dos poucos mercados que ainda mantinha algum ambiente mais autêntico, ao contrário de outros que hoje em dia são mais feitos para turistas do que para os locais. Uma viagem de BTS (Bangkok Train System) e um táxi depois, estava no mercado. E confirma-se. Apesar de alguns produtos feitos apenas para turistas, o ambiente é bastante autêntico e para mim foi fascinante, permitindo-me perder durante algum tempo a observar e fotografar os detalhes e as rotinas dos comerciantes e dos locais que frequentavam o mercado. Não existem muitos barcos, é certo, e os que existem estão parados a confeccionar e servir comida, mas não deixa de ter interesse e fascinante.

Um dos destinos obrigatórios em Bangkok é sem dúvida a sua China Town. Avenidas, ruas, becos e ruelas cheios de centenas de bancas de comida de toda a espécie. Passei a noite a petiscar em várias, não conseguia ficar parada apenas numa! É uma tentação. E não é só a comida, é a agitação das suas ruas, o movimento incessante, as luzes de neon em cada prédio, a sensação que nos dá de estarmos numa cidade viva, em plena ebulição. Adorei essa noite.

Regressar a Bangkok foi um reviver de cheiros, cores e um despertar extraordinário dos sentidos. É uma cidade que nos deixa de cabeça à roda, uma cidade onde a tradição e a modernidade, a religião e o “pecado”, vivem lado a lado numa harmonia indiscutível. É uma cidade sem meios-termos. Ou se ama ou se odeia.

Até já Bangkok!

Nascida e criada em Lisboa, Portugal, mas apaixonada pelo mundo. Adoro partilhar as minhas histórias de viagem, fotografias e videos e aconselhar e inspirar quem partilha a mesma paixão pelas viagens!