O Misticismo de Bagan

Crónica de Viagem

Mais  uma viagem de autocarro, a segunda desde que tinha chegado a Myanmar, e desta vez de quase 9 horas rumo a Bagan, um dos destinos mais procurados neste país, muito devido às famosas e magníficas fotografias de grandes balões de ar quente a sobrevoar milhares de templos com milhares de anos.

A viagem não foi inteiramente pacífica. A certa altura, lá fora a noite já escura, o autocarro vai-se abaixo a meio de uma subida por uma estrada escura, estreita e cheia de curvas apertadas. As luzes apagam-se, o ar condicionado deixa de funcionar e não se vê praticamente nada para fora. Isto dura cerca de 1 hora. Passam por nós outros autocarros de passageiros, camiões… E eu sempre na expectativa de nos pedirem para sair do autocarro e entrar noutro que nos levaria ao nosso destino. O que não acontece. Passado mais algum tempo, o autocarro começa a descair para susto de todos os passageiros (ou meu vá, pronto. Já vos disse que a estrada era escura e apertada, certo?) e o motorista tenta ligá-lo. Após algumas tentativas frustradas, lá arranca e seguimos viagem novamente.

O autocarro chega ao destino por volta das 5 da manhã e somos acordados por uma gravação de um cântico de um monge birmanês que serve de alarme para anunciar a chegada a Bagan.  No céu já se veem as primeiras linhas de luz a quererem aparecer. Lá fora, na estação, dezenas de taxistas amontoam-se junto aos autocarros nocturnos que chegam, na expectativa de conseguirem o primeiro cliente do dia. Após alguma negociação (sempre a negociação…), arrancamos para a zona de Nyaung U, onde ficava o hotel escolhido para esta estadia. Mas antes de chegarmos ainda houve espaço para mais uma paragem, desta vez para adquirir o bilhete de 5 dias que daria acesso à zona histórica, por 25.000 kyats (cerca de €20). Sem este bilhete não há estrangeiro que entre no perímetro de Bagan.

Os dois primeiros dias foram passados a percorrer os templos da zona de Old Bagan de bicicleta eléctrica. Houve muito que pedalar, já que são milhares de templos espalhados por uma zona extensa. E o que encontrei não desiludiu nem um bocadinho. Um ambiente místico com uma certa dose de romantismo. Os vários templos, uns maiores outros menores, desgastados pelos milhares de anos de erosão natural, têm uma aura de misticismo e aventura à sua volta. À excepção de alguns templos de maior dimensão, com uma maior afluência de turistas, foi possível visitar vários templos sem praticamente ninguém à volta.

Algo a não perder numa visita a Bagan é o espectáculo natural diário do sol a nascer por trás dos templos, acompanhado pelos vários balões de ar quente que os sobrevoam diariamente. O primeiro passo: saber qual o melhor local para assistir em primeira fila ao espectáculo. A poucos metros do hotel encontrava-se uma das agências de compra de passeios de balão de ar quente. Um passeio no balão estava fora de questão (cerca de $300 por pessoa!!) pelo que só me restava participar como espectadora. De uma extrema simpatia, a senhora que me atendeu deu-me informações sobre o melhor local para assistir à partida dos balões e disse-me a que horas se iniciavam os passeios. Ok, plano delineado. No dia seguinte levantei-me às 5h da manhã, peguei na minha máquina fotográfica, numa mota eléctrica alugada por $8 na noite anterior na loja mesmo em frente ao hotel e segui rumo em direcção ao local recomendado. Ao chegar vejo que no topo do templo (que é preciso subir por umas escadas íngremes) já estavam alguns espectadores, mas ainda há espaço para mim. Sento-me ao lado de um grupo de japoneses. A máquina da japonesa ao meu lado não pára. Provavelmente com receio de perder um segundo que seja do sol a nascer, a japonesa dispara constantemente, quebrando o silêncio de quem, para além de tirar fotografias, também quer registar o momento em silêncio apenas na sua memória. O sol nasceu, mas balões nem vê-los… Parece que terei de regressar um dia para assistir ao espectáculo completo.

Bagan

No mesmo dia visito um mosteiro e as suas grutas usadas para meditação pelos monges, assisto aos seus rituais e sigo até ao rio onde descanso por alguns minutos sentada nas escadas que dão acesso aos barcos que transportam passageiros para a outra margem. Uma espectadora das rotinas do dia-a-dia de quem tem Bagan como seu lar e Myanmar como seu país.

Os dias passam e chega a hora de partir para o próximo destino: Mandalay. Apanho uma espécie de mini-van que no espaço de 5 horas me leva ao meu destino. O ar condicionado é fraco, as costas colam-se ao assento, mas sobrevivo. O resto fica para a próxima crónica.

Até já! 🙂 

[envira-gallery id=”3673″]

Nascida e criada em Lisboa, Portugal, mas apaixonada pelo mundo. Adoro partilhar as minhas histórias de viagem, fotografias e videos e aconselhar e inspirar quem partilha a mesma paixão pelas viagens!