Dias 6 e 7. Hoi An e a promessa de aventuras.

Cheguei a Hoi An no dia 18. À chegada, como prometido, tinha o tio da Perfume à minha espera. Thang de seu nome, mas mais conhecido por Mr. T. Antes da boleia fez questão que nos sentássemos num cafezinho ao lado do aeroporto e ofereceu-me uma cerveja. A partir daí começou a apresentação da empresa dele, a Danang Easy Riders. Ele criou a empresa há já 17 anos e tem hoje cerca de 12 pessoas a trabalhar para ele.

Conversa para aqui, conversa para ali, lá acabei por fechar negócio com ele. Amanhã de manhã estou de partida para uma tour de mota seguindo o caminho de Ho Chi Minh. Fico uma noite num hotel pelo caminho e no último dia ele leva-me directamente ao aeroporto de Danang para que eu possa seguir para o LaosConfesso que não sou grande fã de motas, mas algo me disse para arriscar. Para além de que Hoi An é bom durante 2 dias, depois já é demais. (Pelo menos para mim)

Levou-me à Green Grass Guesthouse, onde saltei imediatamente para o banho e descansei um bocadinho para logo depois pegar numa bicicleta (são gratuitas) e partir à descoberta da cidade.

Hoi An foi em tempos um grande porto, tendo aos poucos perdido a sua importância. Hoje em dia a cidade está repleta de turistas e as antigas casas dos pescadores e comerciantes são agora lojas, galerias de arte, restaurantes e bares. Tem um ambiente descontraído e sabe a férias. A quantidade de casalinhos que se veem em todo o lado não é de espantar. Hoi An tem um lado romântico muito vincado. Toca a seguir para outro lado já que isto de andar sozinha no meio de casalinhos enamorados não é coisa que me assista.

Uma das coisas fantásticas de se viajar sozinho é que é comum passarmos por outros viajantes a solo e existir uma troca de olhares cúmplices e cumprimentos disfarçados com a troca de um sorriso discreto. Como se disséssemos “eu sei o que estás a sentir agora”. Passei por uma série de mulheres a viajarem sozinhas em Hoi An. No entanto, até agora foi o sítio onde estive mais só comigo. O que não me incomoda de todo, apenas é a primeira vez, desde que cheguei ao Vietname, que me senti assim.

Hoje de manhã fui experimentar as famosas praias. Peguei na bicicleta rumo a An Bang. Por cerca de €1,50 aluguei uma espreguiçadeira por 1 dia, e a praia de facto é fantástica. Água morna, transparente, areia branca e um calor que me forçou a estar a maior parte do tempo debaixo do chapéu. Por volta das 14h começou-se a ouvir a trovoada que anunciava o habitual temporal que se faz sentir todos os dias nesta altura do ano. Dirijo-me à minha bicicleta, pronta para pedalar a toda a velocidade os 4kms que me separavam da Guesthouse. As nuvens pretas que se aproximavam em fast forward fizeram com que rapidamente tirasse essa ideia da cabeça e corresse a refugiar-me no primeiro restaurante que encontrei na praia. Passados 3 minutos, o vento começou a levantar-se e parecia que o céu ia desabar. A praia paradisíaca onde eu estava 10 minutos antes tornou-se no cenário de um filme sobre catástrofes naturais. Lá fiquei no restaurante, tapada com o pareo, enquanto a toda a volta (a esplanada era coberta apenas em cima) o mundo parecia acabar. Trovões, chuva e vento forte. Aproveitei para almoçar e passada 1 hora já estava em cima da bicicleta, rumo à Guesthouse enquanto sentia os últimos pingos de chuva a caírem-me na pele.

Pelo caminho passo no meio de arrozais, devolvo os sorrisos sinceros que os locais me oferecem pelo caminho, e sinto-me livre e feliz como nunca antes.

Nascida e criada em Lisboa, Portugal, mas apaixonada pelo mundo. Adoro partilhar as minhas histórias de viagem, fotografias e videos e aconselhar e inspirar quem partilha a mesma paixão pelas viagens!