Depois de Machu Picchu aguardava-me o regresso a Cusco. Cheguei pelas 21h30 esganada de fome e algo cansada depois de uma viagem de mini-van de quase 6 horas com um condutor completamente alucinado. Despeço-me da Priscilla, do Philippe e dos meus outros companheiros de viagem e toca a andar rapidamente para o Hotel porque na rua já fazia fresquinho.

Tinha a ideia de ficar essa noite em Cusco e no dia a seguir partir rumo a Puerto Maldonado para uma pequena aventura pela selva Amazónica. Mas ao mesmo tempo apetecia-me parar um pouco e apreciar melhor a cidade. A viagem para Puerto Maldonado ainda levaria umas 10 horas e eu tenho de confessar que a ideia de estar junto a insectos, aranhas e afins (algo perfeitamente normal na selva) me deixava um bocadinho de pé atrás. Eu e as aranhas não partilhamos grande empatia… Bem, na realidade, eu e qualquer animal com mais de 4 patas. Desde o inicio da viagem que não parava de viajar de um lado para o outro e confesso que, apesar de esta ser uma das viagens mais entusiasmantes da minha vida, já estava a ficar um bocadinho cansada. Estava na hora de relaxar um pouco. Assim, decido ficar mais 2 noites em Cusco, antes de partir para Lima. Teria oportunidade de conhecer um bocadinho melhor a cidade e de trabalhar de forma mais descansada também.

Assim, lá regressei eu às ruas e ruelas de Cusco. Voltei ao bairro de San Blas para sentir aquele ambiente mais artístico de que tanto gostei, perdi-me nas ruas que rodeavam a Plaza de Armas e descobri um restaurante vegetariano fantástico chamado El Encuentro que se tornou no meu poiso quase todas as noites. Os passeios no entanto não duravam muito tempo já que a altitude, apesar de não me dar dores e cabeça ou enjoos como a muitas outras pessoas, provocava-me alguma dificuldade em respirar o que me fazia ficar cansada rapidamente o que por sua vez me dava alguma fraqueza e tonturas.

Aventurei-me por ruas um pouco mais afastadas do centro, o que me permitiu ver um lado mais real e autêntico da cidade, onde não se via mais nenhum turista a não ser eu. Notava alguma surpresa na cara dos cusquenhos por quem passava: “mas esta perdeu-se ou quê?”. Cusco é uma das poucas bonitas cidades que vi até agora no Peru. A beleza dos sítios por onde passei até agora residia quase sempre nos seus elementos naturais, nas paisagens, mas Cusco, para além de algumas zonas de Lima, foi a primeira cidade que pude apreciar pela sua arquitetura, história e organização urbana.

Na 5ª feira, ao passear ao fim da tarde pela Plaza de Armas, deparo-me com os ensaios de uma demonstração de danças tradicionais Peruanas que decorreriam no dia seguinte naquele mesmo lugar. Sento-me nas escadas da Catedral e acabo por me deixar ficar a assistir. Grupos grandes de 20 a 30 pessoas ensaiam as suas coreografias vezes e vezes sem conta, semi-vestidos com as roupas que usariam no dia do evento.Tiro algumas fotos, assisto ao repetir interminável das danças e ao progresso demonstrado pelos seus participantes até me cansar e parto em busca de uma merecida refeição.

No meu último dia na cidade decidi explorar o seu maior mercado: o mercado de San Pedro. Este mercado é uma mistura de atração turística e de mercado local. É um espaço bastante grande ainda, onde tanto se encontram bancas e mais bancas de souvenirs, roupas tradicionais (praticamente 3 em 5 turistas que viam em Cusco tinham vestida uma camisola ou casaco tradicional da zona, eu incluída…), gorros peruanos, etc, como bancas que vendem carne, peixe, legumes, queijo, entre outros. Adoro mercados. Adoro ver toda aquela palete de cores, de sentir a textura e o cheiro de toda aquela mistura variada de produtos, de observar vendedores e clientes a discutir preços e a qualidade dos produtos… Ainda me senti tentada a beber um sumo e a trincar qualquer coisa numa das muitas bancas que existiam ao longo do mercado, mas tendo em conta a minha experiência de exploração do sistema de saúde Peruano logo no meu 2º dia no país, achei melhor deixar passar a oportunidade. Só me faltava mais uma intoxicação alimentar para juntar à dificuldade em respirar. Era pacote completo!

Nesse mesmo dia decido que no dia seguinte regressaria a Lima onde passaria os meus últimos 4 dias no Peru. Envio uma mensagem ao Fausto, um português a viver em Lima há já 4 anos, pedindo-lhe que me desse algumas dicas sobre o que fazer e visitar na cidade que fugisse um pouco aos habituais roteiros turísticos. Ele acaba por se oferecer para não só me acompanhar numa visita guiada por Lima, como também por me oferecer um lugar para ficar. Bem, isto não podia ser melhor. Que espetáculo! Aceito logo, claro! Compro o bilhete de avião pela StarPeru para o dia seguinte de manhã e preparo-me para dizer até qualquer dia a Cusco.

Escrevo-vos esta crónica no Domingo, um dia depois de ter chegado a Lima e já com algumas histórias e dicas para vos dar. Mas fica para a próxima crónica. 🙂

Até já!

Nascida e criada em Lisboa, Portugal, mas apaixonada pelo mundo. Adoro partilhar as minhas histórias de viagem, fotografias e videos e aconselhar e inspirar quem partilha a mesma paixão pelas viagens!