O último dia em Vang Vieng é passado na piscina do hotel onde o Stod e o Randy estão hospedados. Imaginávamos um dia tranquilo, zen, a aproveitar os últimos cartuchos nesta cidade. Após 1 hora e meia de sossego, começam os ataques de ansiedade. Eis que chega um grupo enorme de party animals que tinham estado no tubing no dia anterior. Pelos vistos um deles fazia anos e vieram iniciar as celebrações nesta mesma piscina. Jesus.

Tivemos que gramar com eles durante umas 2 horas, mas lá se foram embora deixando-nos a aproveitar ainda uma horinha de paz e sossego.
Nessa mesma noite despedimo-nos do Stod e do Randy para na manhã seguinte partirmos os 3 numa mini-van para Vientiane. Chegamos cerca de 4 horas depois.
A impressão menos boa que tinha tido da capital do Laos quando fui de taxi do aeroporto para a estação de autocarros há uma semana atrás é substituída por uma bem melhor após um passeio de algumas horas na cidade. Para uma capital de um país deixa muito a desejar a nível de movimento e animação mas mesmo assim é uma cidade que ainda tem algumas coisas para oferecer, e verifico que afinal até se encontram pessoas bem simpáticas que nos dizem “Sabadee” (olá) quando se cruzam connosco na rua e abrem um sorriso espontâneo.
Visitámos o COPE, um centro que pertence a uma organização criada em 1997 pelo Ministério da Saúde em conjunto com algumas ONGs, e que serve de ponte entre fundos de ajuda internacionais e as vítimas de acidentes causados por bombas largadas durante a guerra no Vietname e que nunca chegaram a explodir.
O território do Laos continua a ser alvo de limpezas de áreas contaminadas por bombas por explodir. Este trabalho tem de ser feito manualmente com a ajuda de detectores de metais, e são precisos por vezes 10 dias para cobrir uma área de 1 hectare.
Continuámos a nossa caminhada pela cidade e parámos num pequeno bar para matar a sede. O momento zen foi interrompido por uma francesa na mesa ao lado que sorvia um sumo como se não houvesse amanhã.
Falava no skype com alguém que a teve de aturar não só a sorver o sumo de uma forma completamente animalesca, como também a fazer barulhos estranhos com uma criança Lao de cerca de 2 anos que estava no bar, para a câmara, durante uns 10 minutos seguidos.

O dia acabou cedo e no dia seguinte continuámos caminho em direcção a Kong Lor para visitar uma famosa gruta que lá existe.
Apanhamos um autocarro local que levaria 7 horas a chegar ao destino.
Rock Lao a passar na tv arcaica no autocarro. Vendedores que entram no autocarro em praticamente todas as paragens para vender pão, snacks, toalhitas, fruta e afins.
Os passageiros são compostos pelos locais, os 3 turistas aqui, e algumas baratas, avistadas no início da viagem pelo Salvador mas que depois não ousaram a dar novamente o arzinho de sua graça.
A meio da viagem (eu a meio de um sono que me apanhou de fininho) o autocarro trava a fundo e quase somos empurrados para fora da estrada por um camião que vinha a alta velocidade numa estrada cheia de curvas apertadas no meio da montanha. Remédio santo para abrir a pestana o resto do caminho.
 Vemos no gps que nos estamos a afastar do sítio onde era suposto pararmos. Mostro o nosso bilhete ao motorista que por gestos me diz que ainda não estamos lá. Ninguém fala uma palavra de inglês neste autocarro. Bonito.
Continuamos a viagem e o autocarro dirige-se a uma zona em construção completamente isolada de tudo. Só estamos nós os 3, o motorista e os ajudantes e um casal de Laos. O autocarro pára nessa zona em construção, e 5 homens vestidos de camuflado sobem para o topo do autocarro e começam a descarregar material de construção. Estilo vigas e afins. Aqui, são os autocarros locais que transportam o material de construção para as obras. Um calor infernal lá fora, e nós, dentro do autocarro, esfomeados, após 6 horas de viagem apenas com uma paragenzinha para um xixi rápido, no meio de nenhures, à espera que estes tipos descarreguem o material todo.
Vemos algumas baguetes em sacos de plástico no autocarro, e começamos a pensar em estratégias para distrair o casal que ainda está dentro do autocarro para conseguirmos tirar pelo menos 1 baguete para os 3. Não o fazemos claro. Mas vontade não falta…!
30 minutos depois o autocarro arranca apenas para parar novamente no último sítio onde tinha parado antes para recolher novamente as pessoas que tinham saído do autocarro nessa altura. Ou seja: os idiotas dos turistas foram levados para a porcaria do sítio em construção e tiveram de gramar com os tipos a descarregar o material, enquanto que os outros passageiros ficaram à espera que o autocarro voltasse, confortavelmente sentados à sombra e a comer, beber e a ir à casa de banho como se não houvesse amanhã…. 😐
É isto.
Chegados ao destino, uma aldeia no meio de nenhures, corremos para o primeiro restaurante para matar o bicho que nos corroía o estômago e para matar a sede com um Beer Lao. Quente. Claro.
Seguiu-se uma extenuante procura por uma guesthouse minimamente decente que nos pôs a caminhar vários quilometros com 10 a 15 kilos às costas.
Finalmente encontrámos um poiso, litros de suor depois.
Amanhã é outro dia.
Até já!

Nascida e criada em Lisboa, Portugal, mas apaixonada pelo mundo. Adoro partilhar as minhas histórias de viagem, fotografias e videos e aconselhar e inspirar quem partilha a mesma paixão pelas viagens!