E finalmente, após um voo de quase 13 horas, com saída de Londres, lá cheguei eu a Manila.
Na verdade não me posso queixar muito do voo. As Philippines Airlines passaram no teste. Não sei como nem porquê, mas consegui uma fila de 3 lugares só para mim, junto à janela, me me permitiu dormir pelo menos umas boas 6 horinhas. O facto de ser um voo direto, o vasto leque de filmes acabadinhos de sair (como “The shape of water” ou “Call me by your name”) e a elevada simpatia do staff de bordo completaram a lista de requisitos para que esta viagem começasse da melhor forma.

Mais uma vez, o nervoso miudinho que me invade sempre alguns dias antes de partir numa viagem a solo, desapareceu completamente quando saí do aeroporto em Manila. Cá fora esperava-me a confusão habitual para conseguir perceber que transporte apanhar para o meu hotel, mas lá decidi seguir as placas que indicavam “metered taxi”. Pelo menos que não fosse logo aldrabada assim que chegasse a Manila. Os 7 kms que separavam o aeroporto do meu hotel (Heroes Hotel) levaram quase 1 hora a ser feitos, no meio do trânsito completamente absurdo de Manila. Começava a perceber o que queriam dizer com “foge de Manila assim que puderes”. Mas a conversa que mantive o tempo todo com o meu motorista também me mostrou o que queriam dizer quando falavam da elevada simpatia deste povo.

No hotel faço check-in num dormitório misto com 4 camas. Tendo em conta que estou a viajar sozinha parecia-me uma boa opção, pelo menos permitiria-me conhecer pessoas e sempre ficava mais em conta. Não me podia ter arrependido mais. Não era a primeira vez que ficava num dormitório mas, claramente, já me tinha esquecido da última vez em que tinha chegado à conclusão que não tenho idade para isto. O quarto não era mau, mas ao entrar, apesar de não estar lá mais ninguém àquela hora, percebi imediatamente que eu seria a única mulher ali. A roupa de homem espalhada por todo o lado e os itens de higiene e variadas toalhas usadas deixados ao abandono na casa de banho foram bons indicadores. Os meus companheiros de quarto eram um rapaz de traços asiáticos (não consegui perceber a nacionalidade) que chegou cerca de 1 hora depois e um tipo ocidental que só chegou ao quarto às 04h da manhã, acordando obviamente quem já estava a dormir. A partir daí não consegui dormir quase nada. A juntar à festa, o quarto ou estava quente demais ou frio demais. Entre acordar ensopada ou com uma enorme gripe, preferi a primeira. De manhã parecia um zombie.

Durante o pequeno-almoço o dono do hotel pergunta-me pelo meu roteiro nas Filipinas, o que é que eu planeava fazer durante as próximas 2 semanas. A reação dele à minha resposta só me veio trazer mais dúvidas quanto ao itinerário que eu tinha traçado. Acreditem quando vos digo que esta foi a viagem mais difícil de planear até agora. As Filipinas são compostas por mais de 7000 ilhas, cada uma mais espetacular que a outra. Sempre que abro o Instagram ou dou uma vista de olhos a outros blogs fico cada vez mais confusa, sem saber bem como meter as 1000 ilhas que quero ver em 2 semanas. Por isso, pela 20ª vez, decidi mudar o meu roteiro. Em vez de Sagada (a norte de Manila) e Donsol (onde planeava ter um encontro imediato com tubarões-baleia), optei por seguir logo de Manila para Bohol (Chocolate Hills, os tarsiers, praia, cascatas e afins) e daí para Coron, El Nido e Port Barton. Em Coron vou embarcar numa expedição de 3 dias da TAO Expeditions, uma das mais populares empresas de “island hopping” daquelas bandas, de quem ouvi excelentes reviews, que me vai levar de ilha em ilha com 2 noites de acampamento em ilhas desertas pelo meio. À noite, fecharia de uma vez por todas o itinerário, jurando nunca mais lhe mexer novamente até ao final destas 2 semanas.

Entretanto tinha ainda um dia inteiro em Manila pela frente. Apesar da má reputação da cidade, não queria deixá-la sem pelo menos ver por mim mesma se havia assim tantas razões para detestá-la. No lobby do hotel começo a planear o meu roteiro para o dia com base nas sugestões da receção. Ao meu lado, um outro hóspede alemão fazia o mesmo. Pergunta-me passado uns minutos se eu não queria juntar-me a ele e dividir um táxi até ao centro da cidade. Nice! Bora lá. Para além de poupar uns Pesos, ainda tenho companhia. A nós junta-se ainda um casal espanhol que é basicamente empurrado pelo dono do hotel para dentro do nosso táxi. Seguimos todos para o American Cemetery, um memorial construído em honra de todos os soldados americanos que morreram durante a II Guerra Mundial nas Filipinas. Um local tranquilo, num contraste extraordinário em relação ao cenário de fundo da cidade de Manila com os seus grandes prédios, nuvens cinzentas e caos generalizado. O caminho para o Memorial, uma construção circular onde se encontram inseridos os nomes de todos os soldados, é ladeado por um vasto relvado de um verde intenso preenchido por cruzes brancas perfeitamente alinhadas.

A meio da visita eu e o alemão perdemos-nos de vista e acabo por continuar o meu tour por Manila sozinha (“All by myseeeelf….Don’t wanna be all by myself…” Tretas. Eu até gosto da minha própria companhia, sou uma gaja porreira, modéstia à parte). Do Memorial sigo para um centro comercial (Venice Grand Canal) que é uma autêntica representação de Veneza, com canais e gôndolas incluídas. Não tinha propriamente grande interesse em visitar um centro comercial mas precisava de arranjar uma forma de ativar o cartão SIM local que me tinham dado no avião. Podia ser que lá encontrasse uma loja do operador. Não encontrei, mas lá consegui ter ajuda de um rapaz de um mini-mercado que por lá encontrei. Pelos vistos é possível carregar o telemóvel em qualquer loja de conveniência ou mini-mercado.

O meu destino final em Manila seria a zona de Intramuros, uma zona histórica repleta de edifícios e estruturas da altura da ocupação espanhola. Meto-me num Uber que demora quase 1h30 para fazer 13kms. O meu motorista praticamente não fala inglês e pelo caminho ainda pára para se abastecer de combustível e para comprar um pacote de aperitivos que faz questão de não me oferecer nem um, o desgraçado. Deixa lá que já te conto uma história quando tiver de fazer a tua avaliação.
Em Intramuros ainda me aventuro um bocadinho a pé, recusando sempre todos os avanços dos vários guias que me abordavam com promessas de um tour espetacular pela zona. “27 places mam! I’ll take you to all of them!”. Já cansada e completamente esfomeada, resolvo fazer uma pausa para almoçar e organizar as ideias. Ao sair do restaurante, sou novamente abordada por outro guia. “I’ll take you in my Lamborghini mam!” Decidi não resistir mais. Ok, vamos lá então. De qualquer forma não me está a apetecer muito hoje andar por aqui perdida. Acertado o preço (que confesso não ter negociado muito), fui encaminhada até ao seu Lamborghini filipino: uma extraordinária bicicleta com um side-car. Isto é que é luxo, é o que vos digo! No final acabei por lhe pagar mais do que ele tinha pedido.

Volto ao hotel a meio da tarde, noutro Uber que desta vez recebeu uma avaliação de 5 estrelas. Nada a ver com o facto de me ter perguntado se eu era modelo porque era muito bonita e praticamente se ter candidatado a ser meu marido, não. Graxista. Mas resultou.

Essa noite decidi abandonar o dormitório onde tinha ficado na noite anterior e assumir o facto que já não tenho 20 e poucos anos. Apesar de ser o dobro do preço, lá me mudei eu para um quarto privado que de repente me pareceu a penthouse suite de um dos melhores hotéis de 5 estrelas. O que vos digo é que dormi que nem uma pedra, tendo acordado às 7h30 da manhã com o som do despertador, sem saber bem em que país estava.


Podes ainda seguir a minha viagem pelas Filipinas através do Facebook Instagram!

Nascida e criada em Lisboa, Portugal, mas apaixonada pelo mundo. Adoro partilhar as minhas histórias de viagem, fotografias e videos e aconselhar e inspirar quem partilha a mesma paixão pelas viagens!