Top 10 – Como as viagens mudaram a minha vida

Posso dizer que comecei a viajar quando me mudei para Valencia, em Espanha, no início do 3º ano de universidade, para estudar ao abrigo do programa ERASMUS. Tinha 20 anos e era a primeira vez que ficava tanto tempo fora de casa num país estrangeiro. Apesar de ser mesmo aqui ao lado, a cultura era diferente, teria de me adaptar a viver durante 1 ano num país que não era o meu, com uma lingua que não era a minha, entre espanhóis mas também entre austríacos, belgas, franceses, escoceses, americanos… No final, foi uma experiência incrível, que me abriu os olhos para tudo o que me estava reservado caso eu decidisse continuar a viajar durante a minha vida. Saí do meu cantinho à beira-mar plantado, da minha zona de conforto e a partir dessa altura, aos 20 anos, comecei a transformar-me na pessoa que sou hoje: alguém que não consegue imaginar a vida sem as viagens, alguém que dá mais valor ao momento do que aos bens materiais, alguém que tira um genuíno prazer em conhecer pessoas, culturas e mentalidades diferentes.

As viagens viraram a minha vida de pernas para o ar, especialmente há cerca de 1 ano e meio atrás, quando decidi largar uma vida estável a nível profissional e financeiro, para seguir o caminho que me faz mais feliz: viajar. Nem sempre é fácil, mas não me arrependo nem por um segundo da decisão que tomei. E essa decisão mudou tudo na minha vida. Para melhor! Queres saber o quê, exactamente? Então dá uma vista de olhos abaixo às 10 coisas que as viagens mudaram na minha vida. Identificas-te com alguma? 🙂

Bagan | Myanmar | Viajar | Viagens


1. Os meus objectivos de vida

O sonho de ter uma carreira estável e promissora, uma conta bancária confortável, ter filhos, enfim, seguir o curso “normal” da vida que a nossa sociedade dita como o caminho certo, já fez um dia parte dos meus objectivos de vida. Era isso que os meus pais queriam para mim, era isso que era esperado de mim. Mas sabes que mais? Foram objectivos que nunca me deixaram feliz, que nunca me deixaram com um sorriso estampado na cara de orelha a orelha. Havia sempre algo em mim que me fazia viver num constante estado de insatisfação, de melancolia até. Sentia-me “presa” e sabia que faltava algo, mas não sabia bem o quê. Afinal o que me faltava era o Mundo. A partir do momento em que comecei a viajar “a sério”, descobri um sentimento de verdadeira felicidade. A liberdade que tinha ao viajar o mundo, fazer o que me apetecesse naquele momento e estar com quem quisesse, fez com que algo finalmente se abrisse dentro de mim. E foi a melhor sensação da minha vida. Hoje, o meu objectivo é aproveitar a melhor altura da minha vida, enquanto é tempo. Nem sempre é fácil, há que lutar muito mais do que quando tens a tua vida toda controlada e estabelecida, mas sabes que mais? Vale tanto a pena.

2. A minha forma de estar na vida

Nunca fui uma pessoa extrovertida. Quem me conhece sabe que sempre fui bastante reservada, muito mais virada para o meu interior do que para o exterior. Só me abria quando ganhava alguma confiança para isso. Conhecer outras pessoas e estar em ambientes mais sociais era por vezes um sacrifício enorme para mim. Até fazer a minha primeira viagem sozinha pelo Sudeste Asiático. Algo fez clique aqui dentro quando aterrei em Hanói, no Vietname, sozinha. Nessa viagem comecei a abrir-me mais e a deixar os outros verem quem eu era na realidade. Comecei a tornar-me numa pessoa mais aberta, mais alegre e com uma forma de estar na vida mais leve, mais descontraída.

3. A forma como me relaciono com os outros

Se há uma coisa que eu adoro em viagem é conhecer outras pessoas. Sim, há sempre aquela conversa típica de “backpacker”, que por vezes se torna um pouco repetitiva. “De onde vens?”, “Já estiveste onde?”, “O que gostaste mais?”. Mas para ser sincera, ainda não me fartei desses rituais “quebra-gelos”. É a chamada “small talk” de viagem. Algo para que normalmente não tenho muita paciência, mas que em viagem faz sentido. E quando volto a casa, ainda impregnada daquele espírito de abertura e de interacção, noto uma grande diferença na forma como me relaciono com os outros. E sei que os outros sentem que estou diferente. Consigo relacionar-me melhor, concentrar-me mais nas pessoas com quem estou e apreciar genuinamente a sua companhia. O sorriso sai mais facilmente, mesmo que para com estranhos e começar uma conversa com alguém é algo que sai naturalmente.

4. A minha capacidade de organização

Acho que nunca me considerei uma pessoa extremamente organizada. O caos sempre fez, de certa forma, parte da minha vida. Um caos saudável vá, mas caos. As viagens fizeram com que, obrigatoriamente, tivesse de trabalhar esse aspecto. Planear uma viagem exige trabalho, concentração e acima de tudo, organização. Os ficheiros em Excel deixaram de fazer apenas parte da minha vida profissional e começaram a fazer parte da minha vida pessoal. E agora sim, com muito gosto! Tratar dos vistos, das vacinas e medicamentos a levar, do que levar na mochila, do que visitar, onde ficar, que transportes apanhar dentro do país… São todos elementos essenciais no planeamento de uma viagem e que exigem obrigatoriamente um maior sentido de organização.


Vê também o artigo Como planear uma viagem de forma independente

5. Ir às compras já não é a mesma coisa

Sabes aqueles dias em que decides ir às compras, vês 5 peças que te ficariam a matar e, apesar de saberes que não devias na realidade gastar tanto dinheiro com aquelas coisas, acabas por trazê-las para casa toda contente? Pois, esses dias para mim acabaram. Ir às compras hoje em dia (não me refiro a comida e mercearia, obviamente) já não tem para mim o mesmo prazer de outrora. Pego em 5 peças. Olho para o preço. Penso no que poderia fazer com aquele dinheiro em viagem. Deixo as 5 peças na loja.

6. O meu sentido prático

Bem, na realidade, acho que sempre fui uma pessoa relativamente prática. Mas as viagens só fizeram com que essa minha característica se acentuasse ainda mais. Fazer a mala para uma viagem de algumas semanas ou até meses, em que andas a saltitar de sitio em sitio e a apanhar todo o tipo de transportes possíveis e imaginários, exige algum sentido prático da tua parte. Aqui, menos é mesmo, sem dúvida, melhor. Andar com a casa atrás só te vai prejudicar em viagem. Algumas peças essenciais e o resto logo se vê. Mariquices durante a viagem a nível dos sítios onde ficar ou o tipo de transporte a apanhar também não são recomendadas.


Vê também o artigo O que levar na mochila para longas viagens

7. As “coisas” já não têm o mesmo valor

No ponto 5 falei-te de como ir às compras já não tem o mesmo gosto para mim que costumava ter, antes de ter começado a viajar. A verdade é que ter “coisas” já não significa o mesmo. Ter um bom carro, uma boa casa, boa roupa, coisinhas para encher a casa… Se antes isto era significado de satisfação e de alguma felicidade, hoje não significam grande coisa para mim. As “boas coisas” para mim são hoje as viagens, os momentos, as experiências e as memórias que me acompanharão para sempre. As “coisas” deitam-se fora um dia, as memórias das tuas viagens e dos bons momentos da tua vida ficam contigo para sempre.

8. Tenho mais paciência

Ter paciência em viagem é fundamental. Em viagens que normalmente durariam 1 hora e que ali demoram 6, quando não te consegues fazer entender num país onde nem o inglês é falado, quando tudo demora mais tempo do que o necessário a acontecer, quando tentas não ser enganada como todos os outros turistas que por ali viajam… Para isto tudo é precisa paciência, muita paciência. E foi algo que eu consegui adquirir durante as minhas viagens. Que remédio!

9. Dou mais valor ao que tenho

Tenho viajado por países de 3º mundo, onde as pessoas não têm nem um terço do que eu tenho e sempre tive durante toda a minha vida. Quando era muito pequena, mudava frequentemente de escola porque acompanhava a minha mãe, professora primária, sempre que era colocada numa nova escola. Isso deu-me a oportunidade de estar em contacto com miúdos com realidades diárias bem diferentes da minha, que me abriram os olhos para o que era a humildade e a generosidade desde muito cedo. Viajar por países no Sudeste Asiático como o Camboja, Vietname ou Laos, apenas vieram acentuar esses sentimentos e fazer com que eu desse ainda mais valor ao que tenho em casa: o apoio da minha família, ter uma casa, ter comida em abundância na mesa…

10. Não consigo parar de pensar em viajar

E pronto. Nunca fui muito de vícios, mas ganhei um e bem grande! Não consigo parar de pensar na próxima viagem, às vezes até penso que é um exagero. Tudo o que eu faço tem sempre em vista o próximo destino. Quanto é que eu consigo poupar, qual o próximo país na lista, quais as melhores promoções de voos… Sinceramente, espero que nunca me passe e que não exista cura para isto. Nunca me senti tão feliz.

Nascida e criada em Lisboa, Portugal, mas apaixonada pelo mundo. Adoro partilhar as minhas histórias de viagem, fotografias e videos e aconselhar e inspirar quem partilha a mesma paixão pelas viagens!